sexta-feira, 28 de maio de 2010

Novos Baianos é liberdade, liberdade é Novos Baianos

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terça-feira, 18 de maio de 2010

O Rey e eu

Eu tinha 12 anos quando o conheci. E não foi necessário muito tempo para que eu me sentisse envolvido por suas palavras. Poucas letras foram suficientes para cultivar em mim o sentimento que trago comigo até hoje, o de admiração a sua nobreza. Usando a lira poética de Mário de Andrade: “quis ser ele, ser dele, me confundir naquele esplendor, e ficamos amigos”. E, a cada contato, desejava: um dia quero ser igual a esse cara. O “cara” era Marcos Rey. (Evidente que até hoje não consegui).

Não vou discorrer aqui nenhuma linha sequer da biografia do grande escritor que delineou como ninguém o “lado escuro da vida”, os personagens mais decadentes e instigantes. Que escreveu as mais emocionantes narrativas infanto-juvenis. Até porque um post seria pouco para isso. Se você que está lendo este texto ainda não o conhece, descubra-o. Vai ser interessante. Garanto. Porém, atrevo-me a adjetivá-lo com uma expressão de Manoel de Barros: Marcos Rey foi, de verdade, um “apanhador de desperdícios”.

Dias desses, voltei a me reencontrar com a obra de Rey: reli Memórias de um gigolô, romance que, em 1986, o autor, em parceria com Walter George Durst, adaptou para a TV. Bruna Lombardi, Lauro Corona e Ney Latorraca deram vida ao trio de heróis: Lu, Mariano e Esmeraldo, respectivamente.

E mais: o reencontro foi promovido por outro livro, de outro autor. Em A convite das palavras: motivações para ler, escrever e criar, Jorge Miguel Marinho, que conviveu com Marcos Rey, num dos capítulos, questiona: por que gostamos tanto de ler Marcos Rey? Depois de elencar vários motivos, Marinho conclui que “gostamos de ler Marcos Rey – talvez ou é bem provável – porque, no momento em que ele elege uma população de indivíduos à margem como protagonistas de uma história ou da História, escavando o extraordinário das situações mais banais, o leitor se encontra com um escritor que não separa ficção da realidade e este mesmo leitor se torna cúmplice, por um tempo sem limite, dessa literatura tão humanamente real”. E é por isso que posso dizer: “ficamos amigos”. Porque a literatura possibilita essa reciprocidade de afeto. As palavras funcionam como o ombro, as mãos, o olhar... ainda que o autor esteja habitando outra dimensão, como é o caso de Marcos, o "rei da margem", que em 1999 partiu, deixando um coletivos de personagens e enredos que a cada leitura se tornam ainda mais burilantes.





Cena de "Memórias de um gigolô"
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