quarta-feira, 31 de março de 2010

A aliciadora feliz

Dias desses, provocando a minha rinite num sebo, dei de cara com um livro que encabeçava a famosa pilha do gênero “os rejeitados”. O título me fisgou de imediato: A aliciadora feliz – a estonteante história da “madame” de Nova York. Trata-se de Xaviera Hollander, personagem instigante que deu “trabalho” à policia e aos moralistas americanos e muito prazer aos notívagos e aventureiros que cruzaram seu caminho.

Nascida na Indonésia, criada na Holanda, descendente de alemães e franceses, judia – portanto vítima dos campos de concentração –, bissexual e ninfomaníaca. Este seria o resumido perfil da mulher que provou todos os delírios do desbunde dos anos 60 e 70.

Reconhecendo sua compulsão sexual, Xaviera percebeu que tudo poderia ser mais prazeroso – ou lucrativo, esta é a palavra. Então, muito jovem, partiu para o “lado escuro da vida”, tornou-se prostituta e em pouco tempo já era a mais renomada cafetina da América.

Se você é daqueles que julga um livro pela capa, não dará nada pela autobiografia super precoce da “madame”. Publicado em 1972, quando Xaviera tinha 28 anos, a arte da capa é das mais duvidosas que o mercado editorial setentista produziu. Algo irritante, que só mesmo a Gestalt explica. Mas se você é um leitor de verdade, só terá a preocupação de empanturrar-se com as histórias por vezes mirabolantes da “aliciadora feliz”.

As aventuras e desventuras de ser prostituta num país conservador como os EUA – a casa da hooker feliz foi perseguida pela Comissão Knapp, criada para investigar abusos e corrupção; o retrato da revolução sexual no mundo – Xaviera era uma puta quase intercontinental; o prazer do sexo pago, que antigamente não era tido apenas como indústria; e alguns trechos da narrativa trazem uma pontinha de preconceito, quando a autobiografada, por exemplo, faz questão de diferenciar as garotas de programa que trabalham em boates das meninas que atuam nas ruas. Estes são os temperos de “A aliciadora feliz”, que só peca pelo excesso de vírgulas – foi a tradução (vamos culpar o tradutor?). Esse probleminha lembra uma pizza demasiadamente salpicada de orégano, mas que a gente devora lambendo os beiços.

Aviso: com todo o meu exagero, acredito que há poucos exemplares no mundo – embora, em seu portal, Xaviera diz ter vendido 16 milhões de cópias. O meu já foi despachado – afinal, a personagem é bastante interessante, logo é plausível apresentá-la a outros leitores. Hoje, Xaviera dedica parte do seu tempo às palestras sobre “relações humanas sexuais e como se tornar um amante melhor”.

Para finalizar, dou outro aviso: não admiro aliciadores, cafetões e derivados. Abomino qualquer forma de exploração. Nada contra a prostituição, desde que os dividendos sejam apenas da moças que vivem a desatar fantasias.

Se quiser fazer uma visita virtual à Xaviera, clique aqui.




A aliciadora feliz
Autores: Xaviera Hollander, Robin Moore e Yvonne Dunleavy
Tradução: Teresa Cristina Saueubronn
Editora: Nova Época Editorial
Páginas:
313

Ano:
1972
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2 comentários:

  1. Daniel, Alex B na área! cara,que postagem maravilhosa! Li esse livro dela, essa raridade, quando era um reles adolescente e devo confessar que parte importante de minhas perversões,ou seja, da minha essência mais pura e autêntica, brotou das visões que essa obra-prima me instilou ( adoro lesbianismo e o livro, voc~e deve lembar, é farto no tema). E obrigado por divulgar meu blog no twitter! valeu mesmo. Abraços.

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  2. LIVRO SHOW!! SÓ QUEM O LEU SABE O QUE É MUDAR DE PENSAMENTO EM RELAÇÃO AO SEXO.

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