sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

A fábula do oleiro

“Uma criança se aproxima de um oleiro que molda bonecos no barro e pendura as estatuetas num varal para secar. Chega perto, admira os seres enfileirados, fica fascinada com a perfeição daquelas pequenas criaturas que se multiplicam nos movimentos exatos das mãos daquele escultor. Mesmo assim, pergunta:

_ Por que você está fazendo tantos bonecos de barro, se o mundo já está cheio de gente?
E o oleiro, sem tirar os olhos e as mãos do trabalho, responde:

_ É para cobrir os vazios da vida, e não faz mal nenhum equilibrar as criaturas de barro com os homens reais”.



A pequena narrativa foi contada pelo transcendental amigo Jorge Miguel Marinho em A convite das palavras: motivações para ler, escrever e criar, lançamento que eu tive a honra de ser presenteado com o primeiro exemplar (a prova da editora).

Jorge explica que “esta fábula foi contada por um anônimo em tempos bastante distantes e depois resolvi contar de forma mais literária (...), porém o seu material temático não tem autoria individual, é a voz coletiva”.

O escritor utilizou a história para ilustrar uma de suas afirmações, a de que “a arte tem traços bastante característicos e registrar a condição humana é a sua própria razão de ser (...); o objeto único da arte é expressar o homem em estado de perplexidade, agonia ou paixão em face da experiência igualmente única de viver”.

Assim que eu finalizar a leitura, voltarei a escrever sobre esta obra, que discute, essencialmente, “a arte da palavra”. Enquanto isso, dou passe-livre a vocês: frequentem a Casa do Jorge – garanto que todos ficaram entorpecidos com JMM, um ser feito de palavras.



Imagem: bergbrandt.com
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