domingo, 26 de julho de 2009

Leila Diniz: simplesmente empolgante



Você conhece Leila Diniz? Aquela mulher “revolucionária”? Não, Leila não foi só uma “revolucionária”. É por isso que hoje eu quero deixar uma dica de leitura. Toda mulher é meio Leila Diniz, da antropóloga Mirian Goldenberg. Um verdadeiro dossiê da vida da atriz que infelizmente desfalcou a dramaturgia brasileira tão precocemente.

O livro, apesar da densidade acadêmica (trata-se de uma tese de doutorado), não deixa de ser instigante. Não existe a menor possibilidade de finalizar a leitura sem saber quem foi Leila Diniz e o melhor: se apaixonar por esta mulher.

Goldenberg faz uma análise de quatro obras biográficas que retrataram Leila: os filmes Leila Diniz, de Luiz Carlos Lacerda, de 1987 (Eu sou velho! Lembro que vi esse longa na TV Manchete!); Leila Para Sempre Diniz, dos diretores Sérgio Resende e Marisa Leão (1974) e Já que Ninguém me Tira Para Dançar, de Ana Maria Magalhães (1982), além dos livros Leila Para Sempre Diniz, também de Lacerda (1987), e Leila Diniz, de Claudia Cavalcanti (1983). Quantas abordagens! Recentemente o jornalista Joaquim Ferreira dos Santos também biografou Leila.

A autora aponta os focos reducionistas que inevitavelmente os quatro autores deram à figura feminina que fez emergir novos conceitos e valores na mulher brasileira. Nas palavras de Massimo Canevacci, Mirian “esclareceu e iluminou Leila Diniz”. Ela não era só a namorada de mil homens, não era apenas exuberantemente desbocada ou o pesadelo dos censores.

O excitante em Leila era a naturalidade como brotou essa “divindade Leila Diniz”, fenômeno que nem ela mesma entendia, pois não aceitava o rótulo de “revolucionária”. Conforme depoimento de Ruy Castro (no livro de Goldenberg), quem a convidasse para levantar bandeiras, ela “mandaria esta pessoa fazer outra coisa com a bandeira” Tão diferente dos chamados “modelos feministas” que temos atualmente, como Madonna e sua cria. Leila só destilava a poesia mais incendiária e verdadeira que pode fluir de uma mulher. Tanto que inspirou outros poetas, como Rita Lee, Erasmo Carlos e o Nosso Senhor dos Trovadores, Drummond, que lhe dedicou a poesia Leila Para Sempre Diniz, no Jornal do Brasil, dias depois da morte da atriz.

Pronto: me empolguei. Leila era isso: empolgação!

Para finalizar: Goldenberg finaliza sua análise com uma deleitável entrevista, na verdade um bate-papo de Leila com seus amigos de O Pasquim.
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2 comentários:

  1. Primeiramente quero dizer que vim aqui por ler seu ótimo comentário no blog do Maroni, ficou muito engraçado, muito bom mesmo; agora, quanto à Leila Diniz... Bem, tenho que ler mais um pouco, pois embora eu seja de sua época (eu já havia nascido há algum tempinho quando ela morreu naquele acidente aéreo), não conheço muito a história dela... Mas me parece que aqui há algumas informações interessantes sobre a mesma.
    Valeu, Inté.
    SF.

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  2. Serial Fucker,

    Valeu pela ilustre visita! Espero você aqui mais vezes, combinado?
    Ah, e o Maroni é uma figura (o conheço pessoalmente!)

    Ah, e leia, pesquisa tudo sobre a Leila (sabia que o Oscar é uma espécie de Leila Diniz de calças? Pois é! São verdadeiras formas avançadas do tempo, e isso assusta a sociedade, que é calcada pela hipocrisia!)

    Abraço,

    Daniel

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