sábado, 13 de junho de 2009

Cacilda e Marília



Há 40 anos as luzes dos tablados brasileiros viveram um dos dias mais penumbrosos. Partia para outra dimensão uma das mais iluminadas divindades do nosso teatro, Cacilda Becker.

Sei que não tenho aptidão alguma para dissertar sobre teatro e muito menos sobre Cacilda. Porém, depois de assistir Marília Pêra, na última sexta-feira (12), falando ao Jô que o ator em cena vive à beira de um colapso, atrevo-me a dedicar algumas papalvas linhas sobre a morte ou - como prefere adjetivar a trupe do Teatro Oficina - à ETHERNIDADE de Becker.

Tratando-se de Marília Pêra, não teria motivos para que eu ficasse intrigado com o depoimento da atriz que integra a casta de Cacilda. Mas, como já deixei claro, sou leigo sobre teatro e muito mais ao que se refere à arte de atuar. Penso, no entanto, que a forma como Cacilda morreu é a melhor ilustração para a concepção de Marília.

No dia 6 de maio de 1969, durante a apresentação de Esperando Godot, a eterna dama do teatro foi acometida por um aneurisma cerebral. A morte, personagem cruel, que - de acordo com as palavras de Marília - duela ferozmente com os atores quando estes estão em cena, 38 dias depois, em 14 de junho, levou Cacilda.


Talvez para os versados sobre teatro, minha observação esteja enfartada de ingenuidade. Porém, roubo as palavras de Wilde e lembro que "nada se parece tanto com a ingenuidade quanto o atrevimento". E é isso que fazem os atores cada vez que sobem aos palcos. Doam suas vidas aos personagens e, atrevidos, enfrentam a morte. Um viva às Marílias! Um viva às Cacildas!
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2 comentários:

  1. Fala, Daniel! Muita correria com o TCC? Mas pense que faltam apenas alguns meses para que tudo tenha um fim e vc se torne um ilustre jornalista. Sobre este post, dois comentários: Cacilda Becker é a personalidade mais ilustre de Pirassununga, terra da minha familia paterna e um dos meus refúgios na terra. O outro: odeio Marília Pera. Embora reconheça que é uma de nossas grandes atrizes, me muda o humor (pra pior) toda vez que sua cara aparece na tela. Nem me lembro mais o motivo dessa raiva desmedida. Algo a ver com uma posição política que ela assumiu tempos atrás (se não me engano, defendendo o indefensável Fernando Collor). Nunca mais consegui olhar pra cara dela sem este sentimento. Grande abraço. Luís

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  2. Então, Luis, eu li na matéía da Ilustrada essa história da ilustre de Pirassununga (e que legal ter um comentário de um quase conterrâneo da Cacilda comentando este post).

    Quanto a Marília, eu sou muito fã dessa moça, a admiro muito, mas sinto muito por esse detalhe tão negro do passado dela (eu não sabia, confesso!).

    Deixa eu correr com o TCC! Rs!

    Abraço!

    Daniel

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