sexta-feira, 26 de junho de 2009

O Pop perdeu seu Rei

Sempre superlativo, o eterno Michael Jackson causou (ou está causando?) seu último frenesi. Morreu, inesperadamente, deixando fãs e também os avessos a sua excêntrica figura em estado de apoplexia. Dúvida e certeza duelam na cabeça de milhões de pessoas. É difícil acreditar, mas o Pop perdeu seu Rei.

A morte proporcionou ao Rei o título que ele sempre cobiçou - em certa ocasião, numa homenagem que a MTV prestou ao astro, no palco do evento, Michael agradeceu pelo prêmio de Artista do Milênio, que, na verdade, só existiu na imaginação do mito musical.

Esqueçam as excentricidades e as polêmicas de Michael. Agora, é impossível não atribuir tal rótulo ao intérprete de Thriller. É o que faz o mundo neste momento. Afinal, como considerou o apresentador americano Larry King, é difícil amar Michael Jackson, mas é impossível odiá-lo.

Quem esquecerá os deslizantes passos dançantes que Michael imortalizou na noite de 16 de maio de 1983, num teatro de Los Angeles, ao cantar um clássico de sua discografia, Billie Jean?





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sábado, 13 de junho de 2009

Cacilda e Marília



Há 40 anos as luzes dos tablados brasileiros viveram um dos dias mais penumbrosos. Partia para outra dimensão uma das mais iluminadas divindades do nosso teatro, Cacilda Becker.

Sei que não tenho aptidão alguma para dissertar sobre teatro e muito menos sobre Cacilda. Porém, depois de assistir Marília Pêra, na última sexta-feira (12), falando ao Jô que o ator em cena vive à beira de um colapso, atrevo-me a dedicar algumas papalvas linhas sobre a morte ou - como prefere adjetivar a trupe do Teatro Oficina - à ETHERNIDADE de Becker.

Tratando-se de Marília Pêra, não teria motivos para que eu ficasse intrigado com o depoimento da atriz que integra a casta de Cacilda. Mas, como já deixei claro, sou leigo sobre teatro e muito mais ao que se refere à arte de atuar. Penso, no entanto, que a forma como Cacilda morreu é a melhor ilustração para a concepção de Marília.

No dia 6 de maio de 1969, durante a apresentação de Esperando Godot, a eterna dama do teatro foi acometida por um aneurisma cerebral. A morte, personagem cruel, que - de acordo com as palavras de Marília - duela ferozmente com os atores quando estes estão em cena, 38 dias depois, em 14 de junho, levou Cacilda.


Talvez para os versados sobre teatro, minha observação esteja enfartada de ingenuidade. Porém, roubo as palavras de Wilde e lembro que "nada se parece tanto com a ingenuidade quanto o atrevimento". E é isso que fazem os atores cada vez que sobem aos palcos. Doam suas vidas aos personagens e, atrevidos, enfrentam a morte. Um viva às Marílias! Um viva às Cacildas!
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terça-feira, 9 de junho de 2009

#Delíryos | O amor é importante, porra!

Não faz nem um mês que, a caminho de Moema, passando pela Faria Lima, me deparei com uma pichação que, de tão chocante, transcendeu o muro e ficou grafada no meu pensamento e - por que também não dizer? - no meu coração. "O amor é importante, porra" Juro que ao avistar a mensagem - que momentaneamente curou a minha miopia - fiquei estatizado. Por alguns segundos, parei no tempo. Não ouvia nem enxergava nada. Somente a frase, com suas poucas letras, inundava meus olhos e o meu pensamento, que foi chacoalhado pela força da mensagem.

Domingo (7), a matéria de capa da Revista da Folha abordou a famosa citação, pichada em vários pontos de São Paulo. De algumas opiniões colhidas sobre a máxima, a percepção da escritora Clarah Averbuck foi de encontro a minha. "Só 'o amor é importante' talvez soasse meio baba, mas 'o amor é importante, porra' serve como uma chacoalhada", falou Averbuck.

Em tempos de individualismo e egoísmo cancerígenos; tempos de conflitos universais, tempos em que tudo é moda, menos o amor; tempos em que o lado mais perverso do homem está em ascensão, surge - ninguém sabe de onde - um mensageiro com palavras tão simples, trazendo um mandamento primordial que a cada segundo cai no limbo do bueiro que se tornou a consciência de grande parte da humanidade.

A equipe de reportagem da Revista bem que tentou descobrir a identidade do 'emissário do amor', mas não obteve sucesso. Acredito que a curiosidade de querer saber quem é o articulista seja o sentimento que todos têm depois do choque provocado pelas breves e advertivas palavras. Conhecê-lo seria bom. O abraçaríamos e certamente seríamos contagiados por seu espírito tão nobre. No entanto, para ele, aparecer é o que menos importa. Para ele, o importante é que cada espectador de sua mensagem se conscientize, de forma pueril e, ao mesmo tempo, brusca, que o amor deve ter lugar cativo no nosso cotidiano tão tacanho, e, sobretudo, nos nossos atos, nos nosso corações.




Foto de Marcelo Penna
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sábado, 6 de junho de 2009

#Delíryos | Dias de Scrat


Depois de milênios sem passar por aqui, hoje, não sei se por impulso, tive vontade de trazer a público o motivo da minha ausência (que ninguém está percebendo, é verdade) : meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) - pois é, faltam poucos meses para que eu receba, oficialmente, o 'título' de jornalista. Enquanto isso, vivo meus dias de Scrat, aquele pobre esquilinho do filme A Era do Gelo. O moço corria, hein? Estou na mesma condição.

Bem, voltando ao TCC... Eu pensei em montar um blog, bem bonitinho e tal, uma coisa mais oficial sobre o tema do meu trabalho, mas tudo anda tão corrido, mil livros para ler, ensaios, artigos jornalísticos e acadêmicos, calhamaços de não-sei-lá-o-quê. Então, a partir de hoje, sempre que possível, postarei alguns detalhes (mínimos, é claro) sobre o meu trabalho.

Para começar, vou apresentar o tema: biografia do empresário Oscar Maroni Filho. E antes que alguém pergunte "por que biografar o brasileiro mais polêmico e instigante?", apresento a minha justificativa.

Torna-se importante narrar a história de um personagem que ganhou notoriedade tanto na sociedade quanto na mídia, que explorou (e ainda explora) avidamente a imagem de Oscar Maroni, transformando-o em uma caricatura, interpretando-o com imposições e convicções inflexíveis.

Até mesmo os veículos que dispuseram seus espaços com a intenção de retratá-lo, visionaram o mesmo foco, explorando sua figura e invadindo sua privacidade com altas doses de sensacionalismo. Tais posturas também mostram a carência que os veículos de comunicação, principalmente os impressos, têm em desenvolver - como faziam as revistas O Cruzeiro e Realidade, no Brasil, e Esquire, The New Yorker, Biography e outras, nos Estados Unidos - reportagens biográficas (os chamados close-ups) em seus conteúdos editoriais.

Além desta realidade, este trabalho também pode ser justificado pela admiração que o herói desta biografia exerce sobre parte da sociedade e, principalmente, ao autor desta obra. Afinal, não existem códigos que recriminem esta justificativa. Até mesmo biógrafos consagrados partem deste sentimento para a produção de suas obras, como ponderou Jorge Caldeira em entrevista ao pesquisador Sérgio Vilas Boas . “Admiração não tem nada a ver com concordar, venerar ou apoiar o que o sujeito fez ou faz em sua vida. A decisão sobre se alguém é excepcional é do biógrafo. É ele quem acredita que determinado sujeito é extraordinário, mesmo não sendo famoso. Ele só deve biografar alguém que admire, pelo bem ou pelo mal. Sem admiração, é impossível”.

Por hoje é isso. Eu volto a falar do Don Oscar! Deixa eu correr!

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