quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

#Delíryos | Novo Acordo Ortográfico



Qual seria a opinião de Monteiro Lobato sobre o novo acordo ortográfico? Essa curiosidade bateu depois de ler no blog do Lira Neto um post que traz as considerações do pai da boneca de pano mais famosa, quando, no inicio do século 20, aconteceu um acordo entre Brasil e Portugal que deu outra estética à nossa língua. Lobato esbravejou contra os acentos e trema (talvez, agora, ele ficaria mais calmo). Eu não.

Confesso que não sou fã dessa ‘ideia’ de reformar a língua portuguesa. Imagina o pandemônio que vai se transformar a cabeça dos guris que iniciaram a pouco a vida escolar. Os pequenos acabaram de aprender (ou não) e, obrigatoriamente, terão que desaprender tudo que fizeram os infantes transpirarem a cuca. Outros motivos também me deixam ensandecido, mas a proposta deste post não é essa. A verdade é que afanei o post do Lira. Vale a pena ler até o final.


Lobato e a reforma ortográfica

O danado do Lobato, com perdão do clichê, era mesmo homem à frente de seu tempo. No início do século 20, um acordo entre Brasil e Portugal instituiu novas regras para o idioma. Foram mandadas para a lata do lixo consoantes dobradas e inúteis (como o ph de farmácia). Em compensação, foi estabelecida uma série infernal de acentos, muitos dos quais a atual reforma, prevista para começar ano que vem, cuidará de extirpar novamente. Lobato deu uma banana para o tal acordo ortográfico. Olha só o que dizia a respeito:

1. Imbecilidade

“Tenho horror à imbecilidade humana sob qualquer forma que se apresente. Há uma lei natural que orienta a evolução de todas as linguas: a lei do menor esforço. Os tais acentos a torto e a direito que os reformadores oficiais impuseram à nova ortografia vêm complicar, vêm contrariar a lei da evolução. São, pois, uma coisa incientifica, tola, imbecil, cretinizante e que deve ser violentamente repelida por todas as pessoas decentes."

2. Pau neles

"A criação de acentos novos, como o grave e o trema, bem como a inutil acentuação de quase todas as palavras, não é desenvolvimento para a frente e sim complicação, involução e, portanto, coisa que só merece pau, pau e mais pau."

3. Tempo perdido

"A maior das linguas modernas, a mais falada de todas, a de mais opulenta literatura – a lingua inglesa – não tem um só acento. E isto teve sua parte na vitoria dos povos de lingua inglesa no mundo, do mesmo modo que a excessiva acentuação da lingua francesa foi parte de vulto na decadencia e queda final da França. O tempo que os franceses gastaram em acentuar as palavras foi tempo perdido – que o inglês aproveitou para empolgar o mundo."

4. Paspalhões

"Não há lei humana que dirija uma lingua, porque lingua é um fenomeno natural, como a oferta e a procura, como o crescimento das crianças, como a senilidade etc. Se uma lei institui a obrigatoriedade dos acentos, essa lei vai fazer companhia às leis idiotas que tentam regular preços e mais coisas. Leis assim nascem mortas e é um dever civico ignora-las, sejam lá quais forem os paspalhões que as assinem."

5. Não sou carneirinho

"Trema!... Acento grave!... Imbecilidade pura, meu caro. (...) A aceitação do acento está ficando como a marca, a carateristica do carneirismo, do servilismo a tudo quanto cheira a oficial."

6. Que nojo!

"Eu, de mim, solenemente o declaro, não admito esses acentos em coisa nenhuma que eu escreva, nem leio nada que os traga. Se alguem me escreve uma carta cheia de acentos, encosto-a. Nem leio. E se vem alguma com trema, devolvo-a, nobremente enojado..."

(Extraído e editado de uma nota introdutória ao livro Negrinha)



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