sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Os Bandidos

Domingo (21), a trupe do Teatro Oficina encenou os últimos atos da temporada de “Os Bandidos”, tragikomédiorgya de Friedrich Schiller, transformada, escandalosamente, em uma ópera de carnaval pelo diretor José Celso Martinez Corrêa. Mas, no sábado, eu - como sempre atrasado - ainda tive a chance de assistir o espetáculo.


Não quero tecer nenhuma crítica à ‘primeira novela das oito do UzynaUzona’, como a montagem é definida pelos seus idealizadores, pois não tenho envergadura alguma para isso. Porém, não poderia deixar de registrar esta experiência, embora todas as palavras sejam incapazes de vencer a gama de impressões que passeiam velozmente sobre os olhos do expectador, ainda que ele seja pueril, como eu.

E, como “nada se cria, tudo se copia” - como ponderou outro velho tropicalista, Chacrinha, - (disse se referindo à TV. Trago a máxima para os blogs) - , sem fazer gêneros, roubo as palavras do ator Pascoal da Conceição, que depois de assistir a peça escreveu: “[Durante o espetáculo] pra onde você olhar estará tendo visões inacreditáveis”

No meu caso, uma dessas visões retratava ninguém mais ninguém menos que um arcaico EU. Sim, cai na realidade de que integro o grupo das pessoas da sala de jantar, aqueles que só são ocupados em nascer e morrer. Em outras palavras: SOU CARETA! Mas não atuo sozinho nesta tragédia. Afinal, diante da anarquia hedonista do carnavalesco espetáculo do Oficina, quem não é?

Talvez esta impressão só corrobore a minha ignorância, pois, a partir da peça, refleti e cheguei à conclusão de que o teatro é a fuga da representação; o teatro desnuda o ser humano; o teatro dá vida aos nossos olhos para que possamos enxergar o que está dentro da nossa casca; ele dá aquela chacoalhada e diz: “Hei, Ser: existem mais elementos dentro de você e ao seu redor”.

Tudo explica porque o teatro é o coração, a artéria pulsante da dramaturgia e da vida também – porque não? Não terei medo em dizer ou escrever que a TV e o cinema, ainda que ofereçam ‘espetáculos’ talhados com o maior esmero artístico, diante das arenas do teatro, ficarão perdidos no fantástico mundo das representações. Esta constatação, agora, está repleta de empirismo.

Para que este post não se transforme em um novelão das oito, encerro por aqui. Deixem-me ir soltar os panos sobre os mastros no ar; soltar os tigres e os leões nos quintais e, com o luminoso punhal de puro aço. matar o bandido SER que, de repente, por ser tão apaixonado por mim, não me deixa transcender às outras esferas.


Zé-Celso-até-a-próxima



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