sábado, 11 de outubro de 2008

Oswaldo Martins

Faz uma semana que desejo passar por aqui, mas o tempo e o meu ferrenho cotidiano têm me feito refém de suas tiranias.
E por falar em tirania, domingo (5) li um das maiores no caderno mais! Dessa vez, o tempo e o cotidiano não foram os algozes, mas, sim, pais de alunos de uma escola de classe média do RJ que, depois de ficarem “excitados” com a poesia erótica do professor Oswaldo Martins, reivindicaram a demissão do poeta. A instituição de ensino, rapidamente, tratou de realizar o “desejo” da horda.

Pensei: aonde esses ”zelosos” pais pretendem levar os filhos com esse conservadorismo coberto por teias de aranha e esverdeado pelo musgo do mofo?

Pior capítulo do drama poético: “psicólogos” e juristas, segundo a direção da escola, que não quis prestar maiores declarações, alegaram incompatibilidade entre licenciatura e poesia... (querido Freud, por favor, explique!).

Não pude deixar de visitar o blog do poeta, além de deixar minha pequena solidariedade. Cheguei a ficar emocionado ao me deparar com a letra de uma música que compunha o último post de Oswaldo – “Meu mundo é hoje”, lindo samba de Wilson das Neves (uma das trilhas sonoras da minha vida)
"Tenho pena daqueles
Que se agacham até o chão
Enganando a si mesmos
por dinheiro ou posição
Eu nunca tomei parte
Desse enorme batalhão
Pois sei que além de flores
Nada mais vai no caixão"

Pois é, caro Oswaldo, a hipocrisia é o grande e incurável câncer dessa sociedade. Os remédios estão aí, mas ela prefere alimentar este mau.
Faltam outras coisas a esses pais, mas eles não desejam esse restante...

Sei que eles nunca vão acessar este blog, mas, para aqueles que compartilham a mesma travada ideologia, e que tiverem a infeliz sorte de passar por aqui, além da paciência de ler este post, gostaria de dedicar uma das poesias oswaldiana.

a alice no país das baboseiras
é uma garota esperta
prefere foder com a coleguinha
usar celular
batom
cortar as cabeças
dos mendigos

(Do livro “Cosmologia do Impreciso”)

Para quem gostou, um abraço; para quem detestou, um conselho: corra à farmácia e escolha o melhor tarja preta.

P.S: Ao terminar de redigir este post, encontrei uma notícia de que um grupo de pais protestaram a demissão do professor. Leia aqui.



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6 comentários:

  1. pelo menos ainda tem pais sensatos que protestam contra esse absurdo.

    bom texto. uma péssima notícia, mas um bom texto ahahaha

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  2. Pois é, Nath...Notícias como estas, nos dias de hoje, poderiam ser consideradas pitorescas... Bom, não deixa de ser não é?

    Beijo

    Daniel

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  3. Nath por aqui? Reunião de família? (rsrsrs). Daniel, sou pai da Nath e passei para agradecer a visita ao meu humilde blog. Apareça sempre que puder. Ao mesmo tempo, parabéns pelo seu blog. Textos interessantes e pontos de vista não menos. Abraço

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  4. Luis Pires, pai da Nath, ilustre visita!

    Abração!

    Daniel

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  5. sou amigo da nath e achei seu comentário sobre esse texto no blog dela. ótima isca! hehe

    gostei do texto e principalemtne da notícia. o pior é que o professor nem incluiu as poesias na matéia, foi apenas um comentário! me senti naqueles filmes de escolas italianas do facismo.

    aliás, tem um filme bem legal que fala da temática, chama "pecados íntimos" (little cildren, no original, bem melhor; dá até pra entender a relação com seu tema). é bem novo, de 2006, vale a pena se não conhece.

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  6. Delírio

    Nua, mas para o amor
    não cabe o pejo
    Na minha a sua boca
    eu comprimia.
    E, em frêmitos
    carnais, ela dizia:
    – Mais abaixo, meu
    bem, quero o teu beijo!

    Na inconsciência
    bruta do meu desejo
    Fremente, a minha
    boca obedecia,
    E os seus seios,
    tão rígidos mordia,
    Fazendo-a arrepiar
    em doce arpejo.

    Em suspiros de
    gozos infinitos
    Disse-me ela, ainda
    quase em grito:
    – Mais abaixo, meu
    bem! – num frenesi.

    No seu ventre
    pousei a minha boca,
    – Mais abaixo, meu
    bem! – disse ela, louca,
    Moralistas,
    perdoai! Obedeci...

    Olavo Bilac 1865-1918

    É inadimissível que nestes tempos, ainda haja censura, para uma natureza tão pura. Amar é amar, e que importa não é como dizer, mas oque se tem a dizer.

    Bjs

    Raquel Duarte

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