segunda-feira, 30 de junho de 2008

#Delíryos | A mulher apaixonada e o homem devasso




As súplicas da mulher apaixonada foram vencidas pelo desapreço do homem devasso. O algoz tanto fez que trucidou o coração da mulher apaixonada. De nada adiantaram as mais castas declarações que a mulher apaixonada teceu na velha carta amarelada, que já não exprime nenhuma emoção ao homem devasso.. O olor que perfuma o homem devasso não mais embebedará a mulher apaixonada. O calor da boca do homem devasso nunca mais aquecerá os lábios da mulher apaixonada. O chamejar do olhar do homem devasso nunca mais alumiará as noites sem luar da mulher apaixonada. A mulher apaixonada viverá perenemente a desejar a generosidade do sorriso do homem devasso, que à outra mulher apaixonada ele dará. As pernas da mulher apaixonada fraquejam, mas ela vai continuar. Resignada, a mulher apaixonada há de clamar a presença da estrela que os banhou. Talvez os astros acompanhem a mulher apaixonada. A mulher apaixonada seguirá sorrindo um sorriso de languidez. Essa paixão é o seu desatino. Lembrar do homem devasso é como ouvir aquele velho disco. Ela já não pode mais no piano aquela música tocar. Parece que as teclas não cantam. O peito da mulher apaixonada, dolente, não pode agüentar...
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