sábado, 6 de novembro de 2010

#Delíryos | Uma imagem meio xoxota

Numa tarde feita pra coçar o saco, decidi praticar a minha pseudo-habilidade artística e criar um novo banner para este blog meia-boca. E - óbvio ululante - opiniões sempre são importantes - nem que você receba uma escarrada daquelas na sua cara pálida. Mesmo sabendo que faltam muitos metros para que a minha criação seja considerada mambembe (e isso seria muito, claro!), fiquei feliz com a percepção (super poética) de uma amiga:

"Caraleo, ameiiiiiiiii aquela imagem meio flor, meio gente, meio 'machonha', meio xoxota...ain, vou ficar olhando pra ela!. Linda demais".

Mais percepções? Comente já!
É isso.


Mea culpa: querido artista que desenhou/pintou esta coisa-mais-linda-cheia- de-graça, mil perdões. O Googão não me deu os devidos créditos. Parabéns pela obra "meio xoxota".
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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

#Delíryos | Ah, esperança, meu tarja preta...

Às vezes eu tenho invejo daquelas pessoas que vivem com o potenciômetro de esperança no último marcador. É paradoxal o que sinto quando vejo alguém com essa vibe, todo engomado no verdíssimo figurino das expectativas. Ao mesmo tempo em que acho tão imbecil, acho bonito, parvo, encantador, néscio...

Mesmo assim, vez ou outra me pego acelerando o meu ponteiro. Sinto o comichar do serelepe bichinho da esperança fazendo folia com as minhas ilusões. E será sempre assim. Maldição do bom, velho e imprescindível Shakespeare, que amaldiçoou (foi maldição, sim!): "os miseráveis não têm outro remédio a não ser a esperança". Ah, esperança, meu tarja preta...





Imagem: SXC
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domingo, 3 de outubro de 2010

#Delíryos | Romance de la luna



Ao som de castanholas que estalavam baixinho, eu flutuava na névoa multicor do dancing quando ela surgiu e me enjaulou em suas retinas, negramente emolduradas. Um trago mais forte e uma sufocante fumaceira realçaram no meu rosto sombrio o apetite que aquela entidade flamenca, envolta em sedas rubras, despertara no meu peito embebido de fugazes emoções.

Ela, olimpiana, delineando os primeiros passos, incandesceu o olhar devorador da horda de muares que respirava cada gesto do seu corpo, que sexualizava com o timbre sôfrego de Camarón. Mas foi no desvanecer das luzes do abismal cabaré, e no latejar de gozo musical do meu membro rígido, que naquela noite, à luz da lua, ela fez a sua melhor performance.






Foto: SXC
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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

#ÓpioSonoro | Primavera: cântico à natureza

Então é primavera, o milagre de aroma florido, como disse o poeta. É a quimérica estação da dinâmica botânica das cores, de misteriosas tramas da natureza. De rosas claras, violetas e jasmins que assistem ao beija-flor beijando flores a granel. Da rosa amarela, traída pelo pássaro, derramando-se em orvalho - enquanto papoulas e dálias cravam-se de ciúme. Mas a fantasia primaveril traz também o bom crisântemo, o puro e gentil malmequer e o cravo, escravo da rosa - que delira com o lírio. E as cores gentis dessa aquarela são pintadas por hortências inocentes que ornamentadas com todos vegetais  orquestram um cântico à natureza. É a primavera, matizada e viçosa, que sempre será um elixir de inspiração para os artesãos da música universal. É o que mostra a playlist que organizei. Vejam - e ouçam - as flores que colhi passeando pelo jardim de Vinícius de Moraes, Alceu Valença, Bach, Vivaldi, Jacob do Bandolim e outros jardineiros musicais.



1 - Cântico à natureza (Primavera) - Chico César e Nelson Sargento (de Jamelão, Alfredo Português e Nelson Sargento)
2 - Rancho das flores - Vinícius de Moraes, Clara Nunes e Toquinho (de Vinícius de Moraes / Música: Johann Sebastian Bach)
3 - Estão voltando as flores - Emílio Santiago (de Paulo Soledade)
4 - Flores - Zélia Duncan
(de Fred Martins e Marcelo Diniz)
5 - Flores astrais - Secos & Molhados
(de João Ricardo e João Apolinário)
6 - Primavera - de Jacob do Bandolim
7 - Prato de flores - Nação Zumbi
(de Jorge du Peixe)
8 - La Primavera - de Vivaldi
9 - Pétalas - Alceu Valença
10 - Valsa das flores - de Tchaikovsky
11 - As duas flores - de Castro Alves
(musicado por Xisto Bahia / com Ciro Aguiar)
12 - Flor do mato - de João Donato



Texto baseado na letras das músicas selecionadas
Imagem: (Tulipas) SXC
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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

#Cinema | Malditos cartunistas

O que é um cartunista? "Ah, é aquele cara perturbado; que enquanto os "normais" discutem e procuram - ou tentam - encontrar a cura para as chagas da sociedade, ele está em algum lugar, ermo geralmente, tirando da ponta do lápis outros diagnósticos - que no dia seguinte vão, no mínimo, arrancar um sorriso até do leitor mais carrancudo". Quase sempre, esta é a definição que ouvimos e até utilizamos para traçar uma rápida figura da "espécie quase em extinção". Agora, chegou a vez de a "espécie mal compreendida" responder tal pergunta. E as respostas vão estar em Malditos Cartunistas, documentário de Daniel Paiva e Daniel Garcia.

A boa notícia foi dada no ínicio da semana pelos cineastas Gustavo Pizzi e Cavi Borges, no Cineclube, e também pelos documentaristas, que disponibilizaram o trailer do filme no YouTube nosso de cada dia. Malditos Cartunistas, que está em fase de finalização, trará depoimentos de Angeli, Laerte, Glauco, Ota, Reinaldo, Ziraldo, Nani, Jaguar, Arnaldo Branco, Leonardo, Schiavon, Maurício de Souza, Lourenço Mutarelli, Adão Iturrusgarai, Guazelli, Allan Sieber e de outros "urubus". Enquanto isso, aproveitemos da bondade dos Daniéis com o vídeo abaixo, uma pequena, forte e bem traçada tira do que vai ser a produção.


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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

#ÓpioSonoro | Pra gostar de "música de vitrola"

Eu tenho a estranha mania (existem manias que não sejam estranhas?) de querer incutir a nossa cultura musical na cabeça das pessoas. Faço isso sem o menor constrangimento. Pode parecer ou ser pretensioso, mas sou ávido em doar pedacinhos da bagagem cultural - pequena, bom lembrar - que adquiri nos meus 20 e poucos anos. E hoje vou iniciar uma série de conversinhas, como quem não quer nada, querendo propagar - adivinhem! - a música popular brasileira. Até hoje, o blog tinha um player, que virou enfeite - não era atualizado há dezenas de séculos. Então, pra dar mais dinamismo à esta pobre e esquecida página (um dia ainda escrevo um samba-canção), inventei de criar uma coluna que vai ferver: muita música vai tocar aqui.

Para início de conversa, com muita dificuldade, vou apresentar 10 - das centenas de - canções "antigas" e essenciais da extensa antologia poética-musical brasileira. Sem muito lero-lero: quero falar, principalmente, àqueles que torcem os ouvidos para o cancioneiro verde-amarelo e que chamam grandes clássicos de "música de vitrola" (sem o pejorativo, até gosto do epíteto). Se por acaso você, que está lendo essa ladainha, é um dos tais, faça o seguinte: continue a leitura, escute as músicas, e mais: goste muito!

1 - Carinhoso - Sinceridade: é vergonhoso não conhecer o hit poético de Alfredo da Rocha Vianna, o Pixinguinha. Mas feio ainda é cantarolar um "lá-lá-lá" para a canção que deve ser conhecida até no Alaska. Tida como uma das maiores poesias musicais de todos os tempos, a melodia nasceu em 1917, e somente 20 anos depois ganharia a letra, obra de João de Barro, o Braguinha. Todo cantor brasileiro que se preza quer cantar "Carinhoso". Na minha opinião, a versão de Marisa Monte e Paulinho da Viola é imbatível. Clique e - com perdão do trocadilho - seja acariciado pela poesia do grande ídolo de Vinícius de Moraes.

2 - Asa Branca - Além do rock dos anos 80 e da música new wave, minha infância foi embalada pelas notas do acordeão necessário de Luiz Gonzaga, que compôs esta música em parceria com Humberto Teixeira. A composição é cinquentona, mas continua a narrar as tristezas de boa parte do sertão brasileiro. Para quem não sabe, asa-branca é um pássaro que habita nas florestas, cerrados e caatinga, e simboliza paz, saudade e exílio. Sem mais firulas. Aperte o play já!

3 - Chega de saudade - Bem capaz que algum dia, quando você estiver em New York, jantando num restaurante bem bacana, o fundo musical do ambiente terá um piano ou um saxofone tocando o lamento mais bonito da bossa nova. Altaneiro voo poético de Tom Jobim e Vinícius de Moraes.

4 - O mundo é um moinho - Há quem diga que Cartola escreveu tudo isso para convencer uma das filhas a não sair de casa. Mas eu prefiro ficar com a opinião de Aldir Blanc, que em artigo para o Estadão escreveu tudo: "O mundo é um moinho resume a lúcida amargura de Cartola".

5 - Ronda - Certa noite, num bar qualquer da Avenida São João (SP), uma mulher, com olhos de caçador, chamou a atenção de Paulo Vanzolini. Ela procurava alguém, foi o que pensou o boêmio. Assim nasceu esta música (nos anos 40), que foi gravada em 1953 por Inezita Barroso, mas somente nos anos 70 o Brasil se rendeu à canção - desta vez, emoldurada pela voz de Márcia. As interpretações de Maria Bethânia e Jamelão são imperdíveis.

6 - Chão de estrelas - Poema do jornalista Orestes Barbosa - musicado pelo cantor Silvio Caldas. Palavras do poeta Guilherme de Almeida: "(...) é quanto basta para que haja ainda um poeta na terra". E para Manuel Bandeira, "tu pisavas nos astros distraída" é o verso mais bonito que já se ouviu.

7 - A noite do meu bem - Clássico do gênero samba-canção, a letra traz a aura da poesia triste, lancinante, trágica e ao mesmo tempo tão bela de Dolores Duran, que morreu muito jovem, aos 29 anos (1959). Parceria com Tom Jobim.

8 - O samba da minha terra - Ninguém nunca foi tão criativo com os aversivos ao samba como Dorival Caymmi. Não gosta de samba? O baiano cantou na lata: "bom sujeiro não é; é ruim da cabeça ou dente do pé". O Bando da Lua fez a primeira gravação nos anos 40. Em 61, o recado ficou mais forte na voz suave e na batida do violão charmoso de João Gilberto.

9 - Com que roupa? - A mãe de Noel Rosa não sabia que não existe aprisionamento para quem é poeta de verdade. Para ver o filho longe das noitadas, escondeu todo o vestuário do sambista. Não deu outra: da simples pergunta "com que roupa eu vou?", Noel fez o samba, que também - conforme confidenciava para amigos - bradava, com metáforas, contra a pobreza do país.

10 - Aquarela do Brasil - Essa até gringo sabe cantar. Na época da composição, final dos anos 30, a letra foi um acinte para os esquerdistas, pois vivíamos o Estado Novo, que tinha Getúlio Vargas bradando que o Brasil estava entre as sete maravilhas do mundo. O DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) usou a canção para divulgar o país tupiniquim a outras nações. Bom para Ary Barroso, o autor, que iniciou carreira internacional, chegando a ser indicado ao Oscar , em 1944, na categoria de melhor música - com Rio de Janeiro, feita especialmente para o filme Brazil.

É isso. Muitos delírios ao som dessa playlist "vitrolesca".


Algumas informações: Revistas Bravo! e Rolling Stone
Imagem: Tirei daqui

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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

#Jornalismo | Digital x Impressos

A morte da versão impressa do Jornal do Brasil me fez lembrar da reportagem abaixo, escrita em parceria com os amigos Teresa Cristina e Rodrigo Monteiro - quando eu cursava o 1º ano da faculdade. O texto integrou um especial em homenagem aos 200 Anos de Imprensa no Brasil para o jornal-laboratório do Centro Universitário Fieo ("Em Tempo").






Sobre o Especial - Editorial da Profª Paula Veneroso (orientadora)



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